Na região de Presidente Prudente, uma das maiores produtoras de batata-doce do país, entre 30% e 40% da colheita nasce fora do padrão de prateleira e, em ano de preço baixo, nem sai do chão. A Better Beef olhou pra essa turma desclassificada e enxergou combustível e cocho cheio.
O plano roda na Agropecuária Vista Alegre, braço pecuário do grupo e maior confinamento coberto da América Latina, por onde passam 136 mil animais por ano. A meta é processar 36 mil toneladas de batata-doce por ano e tirar dali uns 5 milhões de litros de etanol industrial. O que sobra da destilação vira cerca de 7 mil toneladas anuais de ração com 29% de proteína, direto pro cocho do gado. A usina, no plano original, ia ser de milho, mas o cereal caro da região empurrou o projeto pro tubérculo do vizinho.
E a esteira não para na batata. A empresa diz ter transformado em um ano 40 mil toneladas de resíduos industriais em nutrição animal, o equivalente, na régua do GHG Protocol, a 20.537 toneladas de CO₂ poupadas, além de mais de 2 milhões de litros de álcool tirados de levedura recuperada. O próximo passo do Projeto Batata-Doce soma biogás na casa dos 10 mil Nm³ por dia, que vira biometano pra aposentar o diesel dos caminhões.
Agora, o alfinete de sempre. Esses números de CO₂ e resíduo saem da régua da própria companhia, um GHG Protocol autodeclarado, sem auditoria de fora citada, e economia circular é a vitrine que release nenhum resiste a polir. Ainda assim, o modelo é engenhoso e cria mercado pra uma batata que antes apodrecia no campo, renda nova pro produtor da região. Selo verde de verdade se pendura com verificação independente. Até lá, a batata feia segue fazendo o trabalho bonito.