A pecuária americana ganhou um vilão que parece ter fugido de um filme de terror. O berne-do-novo-mundo foi detectado em um bezerro no Texas, o primeiro caso no estado desde 1966, depois da praga subir pelo México no ano passado. O governo americano diz que acredita que vai conseguir conter o foco, mas o setor já tá com a sobrancelha levantada, porque a larva dessa mosca ataca animais de sangue quente e pode causar estrago sério se sair do controle.
O mercado sentiu o cheiro de problema antes mesmo de terminar o café. Os futuros do gado de engorda até caíram no começo, com medo de o consumidor olhar torto pra carne bovina, mas logo viraram e subiram mais de 3% em Chicago. O motivo é simples: o rebanho dos EUA já tá no menor nível em 75 anos, apertado por seca, custo de alimentação e redução de plantéis. Se o berne se espalhar, a oferta pode apertar ainda mais. E a carne, que já tá cara nos EUA, não precisa de muito empurrão pra subir mais um degrau.
O Texas, maior estado pecuarista americano, pode encarar perdas de até US$ 1,8 bilhão se a infestação sair do controle. O USDA congelou a movimentação de animais na área ao redor do caso, enquanto frigoríficos como JBS, Cargill e Tyson já vinham suando pra encontrar boi suficiente pro abate. Agora, o desafio é monitorar os rebanhos espalhados por pastagens enormes, onde o bicho pode passar dias sem ser visto.