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13/03/2026
BRASÍLIA - O cardiologista Brasil Caiado, médico de Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta sexta-feira (13/2) que o ex-presidente deverá permanecer ao menos sete dias internado no hospital DF Star, em Brasília, após ser diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral. Segundo ele, o quadro é considerado grave e exige monitoramento constante para evitar possíveis complicações.
Caiado afirmou que Bolsonaro começou a passar mal por volta das 2h da madrugada, enquanto estava preso na Papudinha. O ex-presidente apresentou febre alta, enjoo, dor de cabeça e mal-estar. Horas depois, ele foi atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que permanece de plantão na unidade onde cumpre pena.
Na avaliação inicial, a médica clínica que atendeu Bolsonaro suspeitou de um quadro infeccioso. Caiado disse que foi acionado imediatamente e, ao chegar ao local, identificou sinais de agravamento no estado de saúde do ex-presidente.
“Já no exame clínico havia alteração na ausculta pulmonar e uma queda abrupta do estado geral dele. O que chamou atenção foi a queda da saturação de oxigênio”, afirmou o médico.
A suspeita inicial foi de pneumonia, hipótese reforçada pelo histórico de problemas gastrointestinais de Bolsonaro, como esofagite, gastrite e refluxo gastroesofágico. Segundo Caiado, episódios de refluxo podem levar à aspiração de conteúdo gástrico para o pulmão, o que pode provocar uma pneumonia aspirativa aguda.
Diante do quadro, Bolsonaro foi transferido no início da manhã ao hospital DF Star, onde passou por uma bateria de exames, incluindo tomografia do tórax, exames laboratoriais e um painel viral para descartar infecções. O resultado da tomografia confirmou o diagnóstico de broncopneumonia bilateral, mais acentuada no pulmão esquerdo.
Segundo o cardiologista, a gravidade do quadro chama atenção mesmo diante do histórico médico do ex-presidente. “Essa pneumonia é mais acentuada em relação às outras que ele já teve e exige um cuidado especial”, afirmou.
O tratamento foi iniciado imediatamente com antibioticoterapia intravenosa, usando dois antibióticos de forma preventiva e terapêutica. Caiado afirmou que Bolsonaro apresentou uma leve melhora inicial, mas ainda relatava enjoo, dor de cabeça e dores musculares. “Agora precisamos aguardar o efeito da medicação. Esse tipo de tratamento depende muito da resposta do organismo”, disse.
De acordo com o médico, o ex-presidente não deve retornar à prisão nos próximos dias. O tempo de internação ainda é incerto, mas a previsão mínima é de uma semana.
“Em geral, esse tipo de quadro exige pelo menos sete dias de hospitalização, podendo chegar a oito, dez ou doze dias. Não temos como prever com precisão porque depende da evolução clínica e da resposta ao tratamento”, afirmou.
Caiado alertou que o quadro exige atenção porque pode evoluir para complicações mais graves, como septicemia, especialmente em razão da idade do ex-presidente., 70 anos. “O quadro é grave. A infecção aumentou de forma drástica e pode evoluir para septicemia, quando a bactéria entra na corrente sanguínea”.
Bolsonaro chegou ao hospital em uma ambulância com dificuldade respiratória e usando suporte de oxigênio. Segundo o médico, a alimentação será retomada gradualmente, de acordo com a evolução do quadro clínico.
Atualmente, o ex-presidente faz uso de sete medicamentos diários voltados exclusivamente ao tratamento do trato digestivo, o que também influencia no acompanhamento médico.
Caiado afirmou ainda que o episódio foi repentino. “Ele estava bem ontem à noite. Foi um quadro agudo que começou por volta das 2h da madrugada e evoluiu rapidamente”, disse.
Questionado se um quadro como esse poderia ser evitado em prisão domiciliar, o médico afirmou que ambientes com melhores condições de cuidado ajudam a reduzir riscos ao paciente, embora não tenha feito uma recomendação direta sobre a medida.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão após condenação por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Ele foi levado ao hospital DF Star na manhã desta sexta-feira sob forte esquema de segurança após passar mal na ala do Complexo Penitenciário da Papuda.