A Cosan abriu o jogo e deixou claro que a relação com a Raízen não tá mais aquelas coisas e que tão precisando ter uma DR pra ver como vai ser daqui pra frente. Segundo o CEO Marcelo Martins, a holding deve ficar diluída até demais depois da reestruturação financeira da produtora de açúcar, etanol e combustíveis, que tem cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. Com uma fatia menor, a participação na Raízen pode deixar de ser estratégica e virar candidata a venda.
O motivo principal é que a Cosan não tá querendo acompanhar a Shell no aporte de capital na Raízen, enquanto os credores negociam transformar parte da dívida em ações. Na prática, a Shell e os credores devem ganhar mais espaço na mesa, e a Cosan pode acabar com uma cadeira menor. O acordo de acionistas com a Shell, firmado há cerca de 15 anos, também deve sair de cena depois desse rearranjo.
Martins disse que ainda não bateu o martelo sobre quando ou quanto vender, mas sinalizou que a Cosan deve buscar liquidez em algum momento. A holding também tá numa missão maior de reduzir endividamento, depois de fechar o 1º trimestre com dívida líquida expandida de R$ 11,5 bilhões, queda de 34% em um ano.
E a faxina no organograma pode ser maior. O CEO ainda afirmou que, num horizonte de 3 a 5 anos, a própria Cosan deve deixar de existir como holding, com os acionistas recebendo participações diretas nas empresas investidas, como Rumo e Compass.