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23/01/2026
Quando a temporada 2026 da Fórmula 1 começar, os fãs notarão carros um pouco diferentes.
Isso porque, graças ao novo regulamento que rege a categoria daqui em diante, os projetos dos veículos passaram por modificações estruturais profundas.
Os novos F1 estão menores, mais leves e mais ágeis. Além disso, eles também marcam a estreia do etanol como parte do combustível de seus motores a combustão.
O etanol na F1
A Fórmula 1 quer se tornar, até 2030, um esporte de carbono zero. Isso significa que todas as atividades relacionadas à competição devem não emitir carbono ou compensá-lo de alguma forma.
Isso vale dos navios e aviões que transportam os equipamentos aos 22 carros que competem nas pistas. Esses, inclusive, já podem utilizar 10% de etanol na mistura desde 2022.
Segundo a Shell, essa mistura é quase idêntica ao que carros de rua utilizam, com diferenças apenas na proporção de álcool. Em 2026, entretanto, isso irá mudar.
"O combustível que fornecemos atualmente para a Ferrari HP é feito com 10% de bioetanol de segunda geração usando resíduos de cana-de-açúcar de uma joint venture no Brasil", diz Selda Gunsel, diretora de tecnologia da petrolífera.
"De acordo com os novos regulamentos, agora devemos usar 20% de oxigenados totalmente sustentáveis, como o etanol, no combustível. Mas o resto - 80% - tem que ser inventado", completa.
Tais invenções incluem biomassa, resíduos de lixo e, com grande importância, a gasolina sintética - também conhecida como gasolina sem petróleo.
Essa "e-gasolina" é produzida através de processos químicos que não consomem petróleo e, em tecnologias como a da Porsche, são capazes de limpar o ar atmosférico — rodando com eletricidade limpa.
Já a parte dos 'sustentáveis avançados' — onde o etanol se encaixa — é composta, além dos materiais de origem renovável, por materiais inéditos, sintetizados em laboratório a fim de cumprir as demandas dos novos motores de altíssimo desempenho.
Outras mudanças
Muito além do combustível, a F1 estreará carros com entre-eixos 20 cm menor e 15 cm mais largos, que devem contribuir para mais ultrapassagens.
Os carros também ficaram 30 kg mais leves e trazem pneus mais estreitos, que ajudam a reduzir o arrasto e, consequentemente, não atrapalhar quem vem logo atrás.
Nesse sentido, uma alteração relevante é a estreia de aerodinâmica ativa na asa dianteira, em espécie de segundo DRS nos carros, a fim de fomentar ultrapassagens (nesse caso em curvas).
Dessa forma, os pilotos poderão optar por diferentes ajustes de ar, equilibrando performance e consumo de combustível.
Por fim, a eletrificação também estará presente entre as novidades, por mais que os F1 já sejam híbridos há anos.
Nesse caso, o que muda é a participação do motor elétrico na potência combinada: praticamente metade do que um F1 anda agora virá da eletricidade. A outra metade, das fontes limpas.
Por: Eduardo Passos - Colaboração para o UOL
Fonte: UOL