Você vai comprar dose de sêmen para a próxima estação de monta, e o jeito mais comum de escolher o touro é olhar o bicho. O maior do lote, o mais bonito, o que enche o olho. É assim que a maioria escolhe. A Embrapa diz que oito em cada dez reprodutores em uso no país ainda são o "ponta de boiada", o boi que o produtor acha que é o melhor do lote, sem indicador nenhum sobre ele.
O touro avaliado é outra coisa. Pense no boletim escolar, mas o boletim não é dele, é dos filhos: a Embrapa mede o que os bezerros dele renderam e compara com a turma.
Touro bonito é o pai com jeito de inteligente. Touro avaliado é o pai cujos filhos passaram de ano com nota boa. E a pesquisa da Embrapa Cerrados calcula o que essa nota vira em dinheiro. Numa fazenda de mil matrizes, se cada garrote filho desses touros chega ao abate com uma arroba a mais de carcaça, entram cerca de R$ 258 mil por ano, com a arroba a R$ 330. Olha só.
Agora a parte que muda a sua compra. A própria pesquisa registra que a dose do touro avaliado custa o mesmo que a dose do touro comum. Tem base? Dois potes iguais na prateleira, mesmo preço, e só um deles vem com o boletim azul.
Mas calma, você não precisa trocar o rebanho. Troque a pergunta na hora de escolher a dose: em vez de "ele é bonito?", precisa ser "quanto os filhos dele costumam pesar?".