Depois de entrar com o pedido de Recuperação Extrajudicial, a Raízen acabou de ganhar um vale de 180 dias sem cobrança, assinado pela Justiça de SP, aquele respiro oficial pra parar de apagar incêndio com balde furado. A Justiça de São Paulo deferiu a RE da empresa e suspendeu as cobranças dos créditos do plano por 180 dias, enquanto a empresa tenta reorganizar uma dívida de R$ 65,1 bilhões sem transformar o caixa em cinzas.
Só que o relógio tá correndo. A Raízen tem 90 dias pra chegar no mínimo de 50% de adesão dos créditos sujeitos ao plano, e por enquanto tá batendo na trave, com 47,2%, aquele quase que dá ansiedade. A decisão também aceitou a consolidação processual, ou seja, o pacote vale pro grupo Raízen inteiro, não empresa por empresa, evitando a série cada CNPJ por si.
Só que, enquanto o juiz deu fôlego, o rating levou um empurrão escada abaixo. A Fitch rebaixou a nota de “CCC” pra “C”, depois de a S&P já ter rebaixado de “CCC-” pra “SD”. E o problema é que a confiança ficou mais magra justo quando a empresa precisa sentar com credor e vender a ideia de um futuro menos turbulento.
E aí entra a parte em que o credor faz cara de gerente de banco e pede garantia extra até pra te emprestar caneta. Segundo apuração do Valor, o grupo de credores quer uma injeção de capital bem maior pra abrir conversa séria sobre conversão de dívida em ações. A régua que eles mandaram pros acionistas fala em capitalização total de R$ 25 bilhões, sendo R$ 12,5 bilhões em dinheiro da Shell e o restante via conversão de dívida, num esquema “eu converto, mas você coloca grana na mesma proporção”. A Shell teria sinalizado uma conversão de algo como 25% da dívida, perto de R$ 16 bilhões, mas os credores dizem que até topam 15%, desde que o cash venha junto e do tamanho certo.