O pacote vendido não é pouca coisa. Entram na conta a refinaria de Dock Sud, que é responsável por 14% da produção de combustíveis da Argentina, a rede de 894 postos Shell, com 17,9% do mercado local, uma fábrica de lubrificantes em Buenos Aires, 2 bases de abastecimento nos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque e 2 terminais de combustíveis em Arroyo Seco e Santa Fe. O acordo também prevê que os compradores assumam a dívida da Raízen Argentina, mais uma peça importante nesse quebra-cabeça de caixa.
A Mercuria, trader suíça de commodities, já atua na Argentina por meio da Phoenix Resources, em Vaca Muerta, e aparece de novo ao lado do empresário José Luis Manzano, fundador da Integra Capital. Com a compra, o grupo amplia presença no setor de energia argentino e leva ativos estratégicos de refino e distribuição. Já pra Raízen, a venda entra como peça central do plano de desinvestimentos.
A operação ainda depende de autorizações regulatórias e judiciais, mas a expectativa é concluir tudo dentro da safra atual. O timing não é detalhe, porque a Raízen apresentou nesta semana sua proposta final de recuperação extrajudicial e espera apoio de mais de 70% dos credores. Depois de colocar 45% da dívida na mesa pra virar ações e negociar alongamento do restante, vender a Argentina virou parte do plano pra trocar aperto financeiro por fôlego.