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16/02/2023
Estudos realizados pela Embrapa na Região Serrana Fluminense apontam que o lúpulo pode ser beneficiado pela ação de bactérias e fungos encontrados na natureza. Um exemplo de outras culturas em que os produtores já utilizam bioinsumos para potencializar a produtividade, experimentos com mudas inoculadas com a bactéria Azospirillum possibilitaram aumento de 52% de biomassa na parte aérea da planta. “Nossa perspectiva é obter um bioinsumo que estimule a produção de mudas mais vigorosas, com menor tempo de viveiro e que reflitam em benefícios em relação à produtividade e, quem sabe, até na qualidade sensorial do lúpulo”, explica o pesquisador Gustavo Xavier , da Embrapa Agrobiologia(RJ). O trabalho é uma das frentes da Rede Lúpulo, um esforço multi-institucional e multidisciplinar direcionado a criar condições para o estabelecimento da cultura no País, começando pelo Rio de Janeiro ( mais detalhes abaixo ) .
O experimento foi realizado no Viveiro Ninkasi, localizado em Teresópolis (RJ), o primeiro reconhecido pelo Ministério da Agricultura ( Mapa ) para produção de mudas de lúpulo no Brasil. Com as práticas de manejo usuais já realizadas no viveiro, os pesquisadores testaram bactérias e fungos armazenados na coleta do Centro de Recursos Biológicos Johanna Döbereiner ( CRB-JD ), em Seropédica (RJ). São microrganismos que, reconhecidamente, têm a função de promover o crescimento de plantas, mas não se sabia ainda se tinham algum benefício sobre o lúpulo.
A pesquisa avalia também alguns substratos que são eficientes em outras culturas, como o gongocomposto (substrato produzido por gongolos). Nesses testes de campo, os investigadores observaram um aumento de 50% em relação ao abastecimento comercial. Na busca por um manejo do lúpulo adequado ao solo e clima da região, os pesquisadores reúnem uma equipe multidisciplinar, que analisa desde o uso de microrganismos na produção de mudas até o controle biológico de pragas de doenças na cultura.
Por se tratar de uma cultura ainda incipiente no Brasil, e principalmente na Região Serrana do Rio de Janeiro, há poucos registros científicos que podem balizar as orientações quanto ao manejo adequado do lúpulo. “Como cada um de nós analisa o experimento dentro da nossa área de conhecimento, o experimento fica robusto, com várias estimativas. O que é um grande benefício para a cultura”, pontua o pesquisador Orivaldo Saggin , especialista em fungos micorrízicos.
As micorrizas são associações entre alguns fungos do solo e raízes de determinadas plantas, que ocorrem nos mais diversos ecossistemas. As hifas das micorrizas – estruturas que compõem as células de um fungo – associam-se às raízes das plantas e auxiliam na absorção de água e sais minerais do solo (principalmente fósforo e fósforo). Como o lúpulo é uma planta que depende muito da raiz para o seu desenvolvimento, os pesquisadores estudam a possibilidade de desenvolver e aplicar um produto biológico para estimular a planta na absorção de nutrientes.
A pesquisadora Norma Rumjanek explica que os conhecimentos do microbioma associados com plantas vêm ganhando destaque e podem revelar novas oportunidades tecnológicas. “O objetivo é otimizar os benefícios do envolvimento dos processos microbiológicos que a planta, os microrganismos e o ambiente”, relata, ao explicar que a intenção é avaliar diferentes dosagens do inoculante bacteriano e de substratos nas cultivares mais utilizadas pelos produtores fluminenses.
Além de fazer novos testes de campo com diferentes bactérias da coleção biológica da Embrapa Agrobiologia, os pesquisadores conhecem também como se dão a interação do lúpulo com outros microrganismos, como fungos e bacilos. “Ainda que os resultados sejam preliminares, eles apontam as potencialidades de expansão desses bioinsumos para a cultura do lúpulo”, complementa Xavier.
Mas não só nos microrganismos é focado a pesquisa com o lúpulo na Serra Fluminense. Por se tratar de cultura recente na região, há pouquíssimo material orientador que aborda manejo, colheita e pós-colheita levando em conta as características e necessidades locais. Pensando nisso, o pesquisador dos três centros de pesquisa da Embrapa no Rio de Janeiro esteve presente em suas expertises no desenvolvimento de tecnologias e informações adequadas à produção e ao mercado. Os cientistas querem obter um lúpulo com qualidade diferenciada, especialmente no que se refere às características de aroma.
A equipe técnica da Embrapa Agroindústria de Alimentos estabeleceu um protocolo para seleção e classificação das flores de lúpulo de acordo com critérios de cor. O tempo e a temperatura ideais para desidratação foram preliminarmente definidos após estudos tratados na Planta Piloto de Processamento de Alimentos do centro de pesquisa. “Em testes preliminares realizados com cones de lúpulo da variedade Cascade, produzidos em Nova Friburgo (RJ), tratados-se que a desidratação deve ser realizada à temperatura de 40 ºC, por um período de cinco horas e meia, para preservar as suas qualidades ”, afirma a pesquisadora da Embrapa Regina Nogueira. O produto desidratado foi acondicionado em embalagem tipo PET metalizada, embalado a partículas e armazenado em local seco. Quando se armazena o lúpulo desidratado a partículas, sua qualidade pode ser preservada por até um ano se mantido refrigerado (5 °C) ou congelado (-15 °C), segundo a pesquisadora.
Como começarmento dessa ação, está em estudo o dimensionamento e a construção de uma secadora para flores de lúpulo em escala piloto a ser adotada por pequenos produtores da Serra Fluminense. “A ideia é desenvolver um equipamento para desidratação de lúpulo, com sistema de controle de temperatura e velocidade do ar, gerado em um produto estável para armazenamento à temperatura ambiente, sem necessidade de adição de agentes para controle de crescimento microbiano”, conta o pesquisador Félix Cornejo .
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Zoneamento agroecológico para o lúpuloA fim de determinar as melhores áreas para a cultura do lúpulo no Rio de Janeiro, a Embrapa Solos (RJ) fez o zoneamento agroecológico preliminar do estado na escala 1:250.000. O zoneamento agroecológico serve para determinar a região ideal para o plantio de uma determinada cultura. Como base para o trabalho foi usado o mapa de solos do estado. “Recentemente foi lançado um manual de boas práticas na cultura do lúpulo , e um capítulo abordando o zoneamento”, conta o pesquisador da Embrapa Enio Fraga da Silva . Esse zoneamento é considerado preliminar porque é necessário elaborá-lo com maior grau de detalhamento. “O ideal seria fazer esse zoneamento pelo menos na escala 1:25.000 ou maior até, que é um trabalho que pode levar até dois anos para ser feito”, pondera Silva. “Quando o zoneamento é na escala de 1:250.000, participou mapear somente uma área de 200 hectares”, detalha o especialista. Pelo zoneamento, as áreas serranas são consideradas como mais aptas, embora em algumas regiões temperadas com até 14 horas de luminosidade se consegue um bom resultado do lúpulo. “Uma maneira de resolver esse problema em áreas tropicais sérias a utilização de iluminação artificial”, revela o cientista. Ele lembra que, para cada real aplicado no levantamento ou caracterização do solo, a sociedade tem um retorno de oitenta a cem reais. |
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Fonte: Embrapa Agrobiologia