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27/02/2026
A Comissão de Transição Energética e Coalizão pelos Biocombustíveis realizou, nesta quarta-feira (25), o seminário “Mapa do Caminho - Biocombustíveis: a Rota mais Curta”, na Câmara dos Deputados. O evento mostrou ações no Brasil e no mundo para a construção do chamado ‘mapa do caminho’ para a substituição gradual de combustíveis fósseis por fontes com menor emissão de gases poluentes, como os biocombustíveis.
Alexandre Alonso, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, participou do painel "Inovação tecnológica na Produção de Biocombustíveis", com moderação do deputado Arnaldo Jardim, ao lado do professor da Unicamp Gonçalo Pereira e do gerente de Sustentabilidade, Descarbonização e Novas Tecnologias da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI) Tiago Giuliani.
Alonso citou a estrutura de um mapa do caminho com quatro eixos: matéria-prima, biorrefinaria, métricas de sustentabilidade, e inovação e adoção. Segundo ele, o ganho real vem da integração desses quatro eixos. “Não adianta avançar em um elo e deixar os outros para trás”, afirmou.
A rota mais curta para os biocombustíveis no Brasil passa pela integração de camadas formadas por ‘inovação conectada à adoção’, ‘métricas robustas’, ‘biorrefinarias inteligentes’ e ‘campo produtivo e resiliente’. E essa rota não é linear. Ela exige uma visão integrada que conecta o campo à indústria e ao mercado global.
Quando se fala em desenvolver biocombustíveis, é preciso desenvolver agricultura, indústria e inteligência regulatória ao mesmo tempo, defendeu Alonso.
Nesse aspecto, o Brasil tem uma posição privilegiada, lembrou o gestor, pois o país tem a vantagem natural de ter a maior e mais diversa base de biomassa do mundo e tem a base científica. “Uma rede robusta incluindo a Embrapa e as universidades, com capacidades acumuladas em genética, manejo e bioprocessos”, ressaltou.
Alonso lembrou que a transição energética brasileira começa no campo. Sem matéria-prima competitiva, resiliente e sustentável, não há biocombustível competitivo. Para chegar a esse patamar, é preciso aumentar a produtividade vertical, produzir mais biomassa por hectare com menor pegada ambiental; aumentar o uso de tecnologia, com foco em melhoramento genético para tolerância a secas e pragas; e aumentar o teor de óleo, açúcar e fibra na planta, elevando sua qualidade.
De acordo com ele, é preciso também diversificar matérias-primas para promover maior resiliência e inclusão produtiva. “Diversificar matérias-primas não é dispersar esforços, é reduzir riscos climáticos e de mercado. Desenvolver biocombustíveis passa por desenvolver uma agricultura de baixo carbono.
Sobre biorrefinarias, Alexandre afirmou que biorrefinaria moderna é a ponte entre agro, indústria e descarbonização, acrescentando que é preciso sair da lógica de “litros por tonelada” para “valor agregado por tonelada”. “Os benefícios são a flexibilidade industrial, a redução de risco econômico e o aproveitamento integral da biomassa”, disse.
O chefe-geral defendeu que a biorrefinaria do futuro será biológica, digital e automatizada, com controle em tempo real e otimização de rendimento e previsão de falhas e gestão da variabilidade da matéria-prima. “Automação e IA deixam de ser ‘incremento’ e passam a fazer parte da infraestrutura de competitividade.”
No terceiro eixo, Alonso disse que é preciso “métricas robustas sustentam políticas públicas, dão credibilidade internacional e viabilizam o acesso a financiamento verde. São essas métricas que vão conectar ciência, regulação e mercado.”
Finalizando a apresentação, o chefe-geral falou sobre a importancia de vencer o abismo entre a pesquisa acadêmica e a adoção industrial. “O Brasil gera boas ideias, mas enfrenta gargalos na conversão em tecnologia adotada. Boa ideia não basta, precisamos transformar boa ideia em boa tecnologia, e boa tecnologia em negócio.”
A tarefa da Embrapa nesse processo também foi destacada por ele, no papel de ajudar a encurtar a distância entre ciência, regulação e mercado. “A inovação em biocombustíveis não é apenas uma agenda setorial, é uma estratégia de desenvolvimento nacional”, finalizou.
‘Mapa do Caminho’ - Durante o seminário, o presidente da comissão especial da Câmara e coordenador da Coalizão dos Biocombustíveis no Congresso Nacional, deputado Arnaldo Jardim, apresentou um esboço de projeto de lei do “mapa do caminho”. O texto ficará aberto a sugestões da população na página da comissão na internet, até 3 de março. O lançamento da proposta consolidada está previsto para 9 de março, durante evento em São Paulo.
Participaram do seminário, os deputados Alceu Moreira (MDB-RS) e Pedro Lupion (Republicanos-PR) e o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP 30. O evento reuniu diversos representantes de instituições como ANP, Abiogás, Aprobio, Ubrabio, UNICA, USP, Unicamp, entre outras relevantes para a discussão do tema.
* Com informações da Agência Câmara de Notícias
Por: Marcia Cristina de Faria
Fonte: Embrapa