Saiu, enfim, a cifra que todo produtor queria saber. O governo oficializou o Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial em R$ 525,1 bilhões, R$ 8,9 bilhões a mais que no ciclo passado, e passa a valer hoje. No papel, é recorde. Mas tá mais pra sabooooor-recorde.
Porque esse avanço foi de 1,72%, e quando você desconta a inflação de 4,72% no período, o tal recorde vira queda real de 2,86% no poder de compra do crédito. Pior justo no que segura a lavoura no dia a dia, o custeio e a comercialização, o caixa que banca semente, adubo e diesel, encolheu para R$ 384,9 bilhões, uma retração real de 11,37% bem na hora em que fertilizante e agroquímico estão em alta. O governo trocou giro por patrimônio, jogou o investimento de R$ 101,5 para R$ 140,2 bilhões, mas trator novo não paga a conta da safra que já está no chão.
Mas, calma, tem alívio também. Os juros das linhas controladas caem até 1,5 ponto, o custeio empresarial vai de 14% para 12,5%, o Pronamp do médio produtor cai para 9%, e quem está com o CAR em dia e adota prática sustentável abocanha até 1 ponto de desconto. Com crédito real escasso, porém, esse bônus verde deixou de ser enfeite e virou ferramenta de sobrevivência. E veio uma trava nova, renegociar dívida de custeio agora exige seguro rural ou Proagro, justo para quem já está endividado e sem fôlego.
No fim, o número grande veio R$ 127 bilhões abaixo do que o próprio setor pedia, e o deputado Pedro Lupion, da Frente Parlamentar da Agropecuária, já pergunta como o produtor enrolado em dívida vai conseguir acessar esse dinheiro. O título diz recorde. O extrato diz que o custeio minguou. E quando o crédito oficial aperta, a fila anda para o crédito privado, que cobra bem mais caro. E aí, quem poderá nos salvar?